Wewood, uma história portuguesa feita de madeira

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Artigo de Ana Águas

Wewood: quando o design português nasce da indústria e pensa o futuro

Da herança familiar à criação de uma marca global, a Wewood afirma-se no design europeu através da madeira, do tempo e da consistência.

 

Wewood

Há marcas que nascem de uma ideia e outras que nascem de uma história. A Wewood pertence claramente ao segundo grupo. Criada em 2012, em pleno contexto de crise económica, a marca portuguesa de mobiliário de design resulta de décadas de experiência industrial, transformadas numa linguagem contemporânea, autoral e orientada para o mercado internacional.

A história da Wewood começa muito antes do seu nome existir. Em 1964, Carlos Alfredo funda uma pequena fábrica de móveis que, ao longo das décadas, cresce de forma sustentada e inicia exportações ainda nos anos 70, para mercados como França e Espanha. É neste ambiente produtivo que crescem os actuais fundadores da Wewood, literalmente dentro da fábrica, aprendendo o ofício, os materiais e os ritmos da indústria.

Wewood

Durante a crise financeira entre 2008 e 2012, com a quebra significativa nas vendas da empresa-mãe, surge a necessidade de repensar o caminho. Enquanto o mercado tradicional encolhia, o segmento de luxo mantinha-se relativamente estável. É neste contexto que nasce a ideia de criar uma marca focada no design, no valor acrescentado e numa identidade própria. Após vários anos de desenvolvimento conceptual e técnico, a Wewood é oficialmente registada em 2012.

Apesar da forte ligação à Móveis Carlos Alfredo, a Wewood afirma-se como um projecto independente, com estrutura própria e estratégia autónoma, ainda que mantendo em paralelo a actividade industrial original. Essa dualidade — indústria e marca — é uma das chaves da sua consistência.

Wewood

O design ocupa um lugar central na Wewood. A marca conta com um departamento interno que faz a ponte entre criação e produção, trabalhando com designers internacionais como Dan Yeffet, Fabricio Ronca ou Christophe de Sousa, entre outros. As colaborações são pensadas a longo prazo: as peças integram a colecção enquanto fizerem sentido para a identidade da marca, e os designers são remunerados através de royalties sobre as vendas.

Ao longo dos anos, algumas peças tornaram-se referências claras do universo Wewood, como a secretária Metis ou os aparadores Scarpa e Carousel. O reconhecimento também chegou através de prémios de design, como o European Product Design Award ou o InovDesign, reforçando a credibilidade da marca no contexto europeu.

Wewood

A produção mantém-se integralmente em Portugal, com uma abordagem consciente aos recursos. As sobras de madeira resultantes do processo produtivo são reaproveitadas para aquecer a fábrica durante o inverno, num sistema simples e eficaz, sem alimentar máquinas, mas reduzindo desperdício energético. As matérias-primas variam entre origem nacional e internacional, consoante o material, refletindo a exigência técnica e estética das peças.

No contacto com o público, a Wewood privilegia feiras internacionais, agentes, lojas multimarca e plataformas digitais. Participa regularmente no Salone del Mobile de Milão e teve, ao longo do tempo, espaços próprios temporários em cidades como Londres ou Paris. Em Portugal, abriu a sua primeira loja no Porto e, em 2024, concentrou a presença física em Lisboa, numa relação consciente com um mercado que conhece a marca, mas onde o investimento em mobiliário de autor continua a ser um desafio cultural.

Wewood

Hoje, a Wewood vende para todo o mundo, da Europa aos Estados Unidos, do Médio Oriente à Ásia, adaptando-se a contextos económicos em constante mudança. Sem a pretensão de ser radicalmente diferente, a marca distingue-se pela solidez, pela coerência e pela capacidade de transformar uma longa tradição industrial portuguesa numa linguagem contemporânea e global.

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