BEST PORTUGAL BRANDS
Artigo de Isabel Maria
Os tapetes da Sugo Cork tiram a cortiça do lugar-comum para a introduzir na tapeçaria
Criada pela designer Susana Godinho, a Sugo Cork Rugs foi a primeira marca no mundo a integrar cortiça em técnicas tradicionais de tapeçaria.

Durante décadas, habituámo-nos a ver a cortiça associada ao vinho, à construção, ao isolamento. Útil, resistente e muito portuguesa. Mas dificilmente alguém imaginaria este material natural entrelaçado num tear, lado a lado com lã, linho ou algodão, transformado numa peça pensada para usar ou decorar.
Foi nesse território que nasceu a Sugo Cork Rugs, marca portuguesa fundada pela designer Susana Godinho, que desafiou as fronteiras entre o design têxtil e a inovação material ao integrar cortiça em técnicas tradicionais de tapeçaria artesanal. O resultado são peças feitas à mão com matéria-prima natural e uma abordagem personalizada ao design de interiores.

Num tempo em que tantas marcas falam de sustentabilidade como argumento de comunicação, a Sugo Cork trabalha-a no terreno, nas escolhas concretas e no próprio processo produtivo. A lã e a cortiça têm origem nacional. O linho vem da Europa. O algodão nasce da recuperação de excedentes e desperdícios da indústria têxtil portuguesa e, em alguns casos, é a própria marca que recicla essas matérias para criar novos fios. O aproveitamento estende-se ao detalhe: excedentes de linho transformam-se em materiais de embalamento ou pequenas amostras; restos de fios ajudam a construir paletas cromáticas ou novas possibilidades criativas. Mais do que reduzir desperdício, trata-se de olhar para a matéria com respeito.
Mas a singularidade da Sugo não vive apenas nos materiais. Vive também nas mãos que lhes dão forma. A produção é assegurada por mão-de-obra especializada, com tapeteiras experientes que dominam as técnicas artesanais e mecânicas, num equilíbrio entre memória têxtil e evolução técnica. Há processos automatizados que apoiam a produção, sim, mas o detalhe, a sensibilidade e os acabamentos continuam dependentes da intervenção humana.

Cada peça nasce por encomenda. Não há produção em série, nem soluções indiferenciadas. Há conversas com arquitectos, designers de interiores, clientes privados e projectos de hotelaria. Há moodboards enviados por clientes, conceitos em construção, pedidos muito específicos de cor, textura ou dimensão. Há desenhos técnicos, amostras, afinações, revisões. E depois, finalmente, a execução. Esse percurso transforma cada tapete numa resposta concreta a um espaço específico, e não num simples objecto decorativo replicado em escala.
A relação da Sugo Cork Rugs com o design é central. Não apenas enquanto dimensão estética, mas como ferramenta de interpretação e criação. Cada peça procura dialogar com a arquitectura que a recebe, com os materiais envolventes e com a identidade de quem a escolhe. É talvez por isso que o trabalho da Sugo tenha encontrado eco junto de um público particularmente exigente, tanto em Portugal como além-fronteiras.

Antes da pandemia, a Sugo levou a sua visão a feiras internacionais em Nova Iorque, Japão, Estocolmo, Canadá, Brasil, Reino Unido e França. Entre todas, a Maison & Objet revelou-se especialmente relevante pela ligação directa a profissionais de diferentes geografias. Mais recentemente, a presença na Habitat Valencia assinalou um novo capítulo dessa expansão internacional. Mas, apesar desse alcance global, a essência mantém-se verdadeiramente portuguesa. Não apenas porque a produção acontece cá ou porque parte significativa das matérias-primas nasce no território. Mas porque existe neste projecto uma herança muito particular: a valorização do trabalho manual, do tempo necessário para fazer bem, da proximidade entre quem idealiza e quem executa.
Num mercado saturado de objectos rápidos e descartáveis, a Sugo Cork Rugs propõe outra cadência. A de peças pensadas para permanecer.
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